A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vota nesta terça-feira (6/10) o processo que pode resultar no fim do contrato da concessionária de energia Enel em São Paulo. O processo de caducidade teve início após um apagão que deixou milhares de pessoas sem eletricidade durante 8 dias em dezembro de 2025.A reunião da Superintendência de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica (STF) acontece a partir das 9h na sede da Aneel em Brasília, Distrito Federal.Inicialmente, as autoridades verificam o quórum da reunião, divulgam os informes e aprovam a ata. Em seguida, acontece o chamamento dos processos pelo Secretário-Geral e a leitura do relatório. Há uma etapa de leitura do voto da relatora, Agnes Maria de Aragão da Costa, e debate entre os diretores antes da apuração dos votos. Só então o resultado é proclamado.Falhas no fornecimento de energiaNo início de setembro, uma decisão da 31ª Vara Cível do Foro Central da Capital reconheceu falhas na prestação do serviço de fornecimento de energia pela Enel São Paulo durante o apagão, provocado pela passagem de um ciclone extratropical em 9 e 10 de dezembro de 2025.A decisão se baseou na Nota Técnica nº 9/2026-SFT/ANEEL, que avaliou a atuação da concessionária no atendimento às ocorrências emergenciais decorrentes do evento climático. Segundo a nota, foram registradas 6.715 ocorrências de interrupção do fornecimento de energia em 10 de dezembro. Desse total, 3.056 ocorrências, isto é, 46% da rede, demoraram mais de 24 horas para serem solucionadas. Houve casos de interrupção superiores a 142,8 horas e consumidores sem energia até o sexto dia após a passagem do ciclone pela região. Leia também São PauloAneel marca votação de processo que pode encerrar concessão da Enel SP Conteúdo especialEnel São Paulo sobe em ranking, mas fica fora da renovação de concessões São PauloJustiça vê falhas da Enel em apagão que deixou 2,2 milhões de casas sem luz São PauloEnel apresenta alegações finais no processo que pode cassar concessão Entre as falhas apontadas, também estão a concentração das equipes no horário comercial, a forte redução do efetivo durante a noite e a madrugada, o uso insuficiente de veículos de grande porte, o emprego de equipes sem preparação específica para ocorrências complexas, a baixa resolutividade dos atendimentos e deficiências no controle da vegetação próxima à rede.No último dia 29, a agência negou um recurso interposto pela concessionária contra um despacho que indeferiu o pedido para realização de perícia técnica independente sobre a atuação da empresa diante do apagão na região em dezembro de 2025.A Enel defendia que a perícia independente era necessária para conferir maior segurança técnica à decisão administrativa que pode resultar no fim da concessão. A distribuidora argumentou que isso garantiria a imparcialidade do processo, uma vez que a Aneel é a responsável pela fiscalização, instrução e julgamento e, por isso, não deveria decidir o caso com base apenas em manifestações elaboradas por seus próprios quadros técnicos.No entanto, a Aneel argumentou que a decisão anterior “se apoia em achados operacionais próprios, dados da concessionária, inspeções de campo, evolução temporal e análise comparativa contextualizada”. “Não há, portanto, dúvida técnica específica cuja solução dependa de diligência adicional”, escreveu o diretor relator Gentil Nogueira de Sá Júnior.Ao Metrópoles, a Enel alegou que sua atuação “foi compatível com a magnitude excepcional do fenômeno”. A concessionária disse ainda que o principal fator de impacto foram os ventos fortes e prolongados, que se estenderam por mais de dois dias consecutivos. “Mesmo nesse cenário, a companhia apresentou resposta mais rápida do que nos eventos de novembro de 2023 e outubro de 2024”, acrescentou.







