São Paulo – A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais deve movimentar as articulações políticas de um dos principais aliados do senador em São Paulo: o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).Cabo eleitoral de Flávio na cidade, Nunes mobilizou a campanha bolsonarista em São Paulo e atuou como um fiador do candidato entre os eleitores da capital. Aliados chegaram a dizer que Nunes “comprou Flávio na baixa”, em referência ao fato de que ele apoiou o filho de Jair Bolsonaro (PL) quando sua candidatura ainda era vista com resistência por muitos.O respaldo envolveu um cálculo político a longo prazo. Em 2024, quando venceu as eleições municipais, Nunes teve um apoio tímido de Jair Bolsonaro (PL) e penou para conseguir os votos da base bolsonarista na cidade. Para 2030, o prefeito quer concorrer ao governo paulista com a chancela da família bolsonarista e abraçado pelo eleitor direitista.O plano apresentou resultados no começo. Como mostrou o Metrópoles, Nunes deu uma guinada à direita nos discursos e, reforçando a campanha de Flávio, recebeu elogios do senador.No primeiro turno, quando as urnas mostraram Flávio à frente de Lula, Nunes saiu fortalecido. Apesar do petista ter vencido na capital, Flávio tinha reduzido a vantagem de Lula na cidade em relação aos números obtidos na eleição de 2022. Parecia um sinal de que a campanha feita pelo emedebista tinha dado resultado.A avalanche de votos recebidos por Lula no segundo turno, no entanto, atingiu em cheio a imagem positiva deixada na primeira etapa do pleito. No domingo (25/10), Lula não só voltou a vencer em São Paulo como ampliou seu eleitorado, mudando o placar em várias zonas eleitorais. O desempenho do presidente reeleito foi melhor em 2026 na capital paulista do que aquele visto na eleição contra Jair.Os resultados mostraram que Nunes não conseguiu reverter a tendência lulista da maior cidade do país, e colocaram dúvidas sobre a ideia de que a família bolsonarista apoie Nunes em 2030 em retribuição à ajuda desta eleição.EnfraquecidoAo Metrópoles, o vice-prefeito da capital paulista, Coronel Mello Araújo, disse que a derrota bolsonarista impacta a imagem de Nunes para 2030, mesmo que ele tenha se empenhado abertamente na campanha de Flávio.“Ele fez a lição de casa dele. Investiu no Tarcísio [de Freitas] e no Flávio com a expectativa de conseguir o governo em 2030, mas sai enfraquecido porque não alcançou o resultado esperado”, afirmou o vice, ponderando que “ainda tem muito chão” até a próxima eleição.O fogo amigo do vice tem explicação. Antes de 2030, outra eleição cruza o caminho da dupla: a disputa pela sucessão na prefeitura.Mello Araújo diz que pode ser candidato à prefeito se Jair Bolsonaro (PL) assim o quiser. Foi o ex-presidente quem escolheu o coronel para o posto de vice de Nunes. Uma eventual candidatura de Mello, no entanto, atrapalharia os planos de Nunes, que prefere outros nomes na cadeira.Aliados dizem que o político considera o deputado federal eleito Sidney Cruz (MDB) e o secretário das Subprefeituras Fabrício Cobra para substituí-lo. Mello, com quem Nunes já teve atritos durante a gestão, não está na lista.Há ainda a possibilidade do PL querer apoiar o deputado federal Ricardo Salles (Novo), que abriu mão da candidatura ao Senado neste ano para apoiar André do Prado (PL). Salles já disse publicamente que tem interesse na prefeitura.Interessado em demonstrar força política para tentar a vaga ao governo de São Paulo, Nunes deve se empenhar para garantir que seu candidato à prefeitura seja apoiado também pelo PL.Até 2030, o emedebista precisará convencer os políticos da direita e do centro de que é o melhor para o Palácio dos Bandeirantes. O vice-governador Felício Ramuth (MDB) e o senador eleito Guilherme Derrite (PL) são outros que podem pleitear a vaga.Apesar do cenário incerto, um aliado do Nunes disse ao Metrópoles que acredita que o prefeito conseguirá costurar um acordo com o PL para a sucessão municipal. Já para 2030, afirmou que o prefeito tem vantagem sobre os outros possíves concorrentes. “De todos, Ricardo Nunes tem maior expressão política e articulação”, afirmou o aliado sob reserva.








