TechTudo foi à Pequim, na China, à convite da S-GAME para testar o jogo em primeira mão por seis horas e voltou animado com o que viu; confira as primeiras impressões

Phantom Blade Zero é difícil de se definir em poucas palavras e, por isso, testar o gameplay por seis horas na sede do estúdio da S-GAME, em Pequim, na China, tenha sido uma das melhores experiências de pré-lançamento de um game que já tive. O novo título combina elementos de RPG de ação, hack and slash e outros gêneros para construir uma jornada centrada em combates rápidos, armas variadas e chefes com mecânicas surpreendentes. Esqueça aquela ideia de souslike: aqui você é convidado a conhecer melhor o KungFuPunk, novo gênero que, ao mesmo tempo, homenageia a tradição milenar e a leva à cultura pop global.

A principal impressão após o teste é que o jogo tem potencial para se destacar entre os grandes lançamentos de 2026. O combate é o ponto alto, mas não está sozinho: a movimentação do protagonista, a variedade de inimigos e a criatividade das batalhas contra chefes ajudam a manter a tudo aquilo interessante. A dificuldade de 66 dias, por sua vez, apresenta uma proposta especialmente atraente para quem gosta de desafios extremos. Ainda é cedo, mas o que vimos já deixa claro que a S-GAME tem uma jóia em suas mãos. Confira mais detalhes sobre as impressões do TechTudo sobre o game.

🎮 Phantom Blade Zero é souslike? 5 perguntas e respostas sobre o game

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Phantom Blade Zero — Foto: Divulgação/S-GAME

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Phantom Blade Zero é souslike? (Spoiler: não é)

Uma das primeiras dúvidas sobre Phantom Blade Zero é como classificá-lo. O jogo apresenta características que podem lembrar um soulslike, um metroidvania ou um hack and slash, mas nenhuma dessas definições parece explicar sozinha a experiência proposta pela S-GAME. Para mim, o título chegou a lembrar Onimusha: Way of the Sword, um dos jogos de 2026 que mais chamaram minha atenção, mas Phantom Blade Zero tem características próprias que o ajudam a se destacar.

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O que mais chama a atenção é justamente a combinação de referências. O título mistura artes marciais chinesas, fantasia sombria e um combate extremamente rápido, com diferentes possibilidades de ataque e defesa. Em vez de se prender a um único gênero, o estúdio combina elementos culturais distintos para criar uma estética própria, batizada de KungFuPunk.

Phantom Blade Zero — Foto: Divulgação/S-GAME

A ideia não é apenas colocar movimentos de kung fu em um jogo de ação, mas transformar essa referência cultural em parte da identidade visual, sonora e mecânica do título. E isso fica evidente na maneira como Soul, protagonista da aventura, se movimenta.

Movimentação de Soul deixa o combate ainda mais fluido

Soul parece estar sempre pronto para transformar qualquer ação em um espetáculo. Até mesmo correr, escalar ou saltar pode envolver acrobacias e movimentos exagerados. Durante os combates, essa característica fica ainda mais evidente: o protagonista contorce o corpo, gira as armas, rebate golpes e muda de posição de maneira tão teatral que até os confrontos contra inimigos comuns parecem coreografados.

A captura de movimentos contribui para esse resultado, dando naturalidade às animações e reforçando a inspiração nas artes marciais chinesas. Os golpes se conectam de maneira fluida, enquanto as transições entre ataques, bloqueios e esquivas ajudam a manter a ação dinâmica.

Phantom Blade Zero — Foto: Divulgação/S-GAME

O mais interessante é que o espetáculo não acontece apenas nas animações. O jogador mantém o controle das ações de Soul, e o sistema responde aos comandos com rapidez. A movimentação não é somente um recurso visual, mas parte fundamental. O resultado é um combate que impressiona tanto pela apresentação quanto pela sensação de controle.

Combate é o grande destaque de Phantom Blade Zero

Se existe um elemento que define Phantom Blade Zero, é o combate. Rápido e responsivo, o sistema exige que o jogador entenda as possibilidades das armas e encontre maneiras de usá-las de acordo com o próprio estilo de jogo.

O título conta com mais de 30 armas principais e 25 armas secundárias, conhecidas como armas fantasmas. Essa variedade não serve apenas para ampliar o arsenal disponível: ela também incentiva o jogador a experimentar diferentes combinações e descobrir quais equipamentos funcionam melhor em cada situação.

Uma das ideias mais interessantes é a possibilidade de dominar uma arma aparentemente simples e continuar usando-a durante toda a aventura. A espada de madeira apresentada no início da gameplay, por exemplo, causa menos dano, mas pode ser desenvolvida e utilizada até o fim do jogo. A proposta valoriza o domínio das mecânicas e a habilidade do jogador, em vez de depender exclusivamente da busca por equipamentos cada vez mais poderosos.

Phantom Blade Zero — Foto: Divulgação/S-GAME

A escolha da arma também influencia a maneira de enfrentar os inimigos. Espadas mais longas ou curtas oferecem possibilidades diferentes, e compreender suas características faz parte da evolução durante a campanha. Além disso, os movimentos de Soul mudam de acordo com o equipamento utilizado. Não se trata apenas de trocar a aparência de uma arma, mas de experimentar um estilo de combate diferente.

Um exemplo particularmente curioso é uma espada que altera a movimentação de Soul e o faz lutar como um mestre bêbado. O personagem passa a balançar o corpo, girar a arma ao redor de si e executar movimentos com ritmo e alcance diferentes. Uma habilidade especial ainda permite esquivar automaticamente dos ataques inimigos durante um curto período.

É uma mudança que vai muito além de aumentar o dano ou adicionar um efeito elemental. A arma praticamente transforma o estilo de luta do protagonista, mostrando como Phantom Blade Zero procura fazer com que os equipamentos tenham personalidades próprias.

Essa variedade ajuda a evitar que as lutas se transformem em uma sequência de confrontos idênticos. Mesmo quando o jogador encontra inimigos comuns pelo caminho, eles funcionam como oportunidades para testar armas, aprimoramentos e habilidades antes de enfrentar adversários mais poderosos.

Phantom Blade Zero — Foto: Divulgação/S-GAME

O sistema defensivo também merece atenção. Soul pode bloquear ataques comuns ao manter um botão pressionado, mas essa ação consome Sha-Chi. Quando a energia se esgota, o protagonista fica vulnerável, o que incentiva a troca de armas para recuperá-la e continuar pressionando os adversários.

Nem todos os ataques, porém, podem ser bloqueados dessa maneira. Alguns exigem um parry no momento exato, enquanto outros precisam ser evitados com esquivas. A combinação dessas possibilidades faz com que o jogador tenha de observar os movimentos dos inimigos e adaptar sua estratégia constantemente.

A chave para avançar está em aprender os padrões dos adversários, identificar as aberturas e contra-atacar no momento certo. Quando tudo funciona, até mesmo uma luta contra inimigos comuns pode se transformar em um espetáculo de acrobacias e golpes encadeados.

Exploração dos mapas recompensa a curiosidade

Embora o combate seja o principal destaque, Phantom Blade Zero também oferece motivos para explorar os cenários além do caminho necessário para avançar na história. Os mapas apresentam caminhos secundários, diferentes possibilidades de percorrer os ambientes e áreas que podem passar despercebidas durante uma primeira visita.
A exploração também utiliza a verticalidade dos cenários. Escalar e saltar não são apenas recursos de movimentação: essas ações ajudam a descobrir caminhos alternativos e a investigar lugares que ficam fora da rota principal. A estrutura incentiva o jogador a prestar atenção ao ambiente em vez de simplesmente seguir em direção ao próximo objetivo.
Além disso, é fundamental derrotar os chefes para, além de avançar na história, desbloquear armas fantasmas únicas que permitem acessar pontos inéditos do mapa. Isso amplia as possibilidades de exploração e incentiva o jogador a revisitar áreas por onde a história já passou.
Esse sistema cria uma ligação interessante entre combate e exploração. Superar um chefe não significa apenas vencer uma batalha difícil, mas também conquistar ferramentas que podem abrir novas possibilidades em lugares conhecidos. Assim, o progresso permite enxergar os mapas de outra maneira e descobrir segredos que poderiam passar despercebidos anteriormente.
As missões secundárias e os mistérios espalhados pelos cenários também contribuem para a experiência. Mesmo sem apresentar um mundo totalmente aberto, Phantom Blade Zero oferece conteúdo além da rota principal e motivos para investigar os arredores.
Ainda é cedo para afirmar se essa variedade se mantém durante toda a campanha, mas os cenários vistos no teste demonstram potencial para recompensar a curiosidade. A grande questão será descobrir se os mapas continuam interessantes depois das primeiras horas ou se a exploração acaba funcionando apenas como um caminho até o próximo confronto importante.
Chefes criativos são um dos pontos altos
A variedade do combate fica ainda mais evidente nas batalhas contra chefes. Esses confrontos colocam à prova o que o jogador aprendeu durante a exploração e exigem atenção aos movimentos dos adversários, além de uma boa compreensão das armas e habilidades disponíveis.
Um dos aspectos que geraram debate na internet é a estrutura dessas batalhas. Os confrontos podem ser divididos em duas fases: a primeira, mais acessível, e a segunda, consideravelmente mais desafiadora. A particularidade está no sistema de progressão: ao superar a primeira etapa, o jogador mantém esse avanço mesmo que morra durante a segunda. Assim, não é necessário repetir todo o confronto desde o início a cada derrota.
Entendo as críticas a essa escolha, especialmente por ela se afastar do padrão adotado por muitos jogos do gênero. Ainda assim, admiro a coragem da S-GAME de experimentar uma abordagem diferente. É uma decisão que pode dividir opiniões, mas também demonstra a disposição do estúdio de buscar soluções próprias para Phantom Blade Zero.
Phantom Blade Zero — Foto: Divulgação/S-GAME
Um dos encontros mais marcantes do teste foi o combate contra o grão-mestre da Dança do Leão, inspirado em uma tradição presente nos festivais chineses. A luta ganha novas mecânicas em sua segunda fase, quando o confronto se transforma em uma sequência de movimentos e esquivas em plataformas estreitas.
Em determinado momento, o jogador precisa subir em estacas e desviar de projéteis de fogo enquanto enfrenta o adversário utilizando uma máscara de leão. A combinação é inesperada e transforma a batalha em algo muito diferente de um confronto convencional contra um chefe.
O que torna a luta especial não é apenas a apresentação visual, mas também a maneira como suas mecânicas mudam a dinâmica do combate. O jogador precisa entender o que está acontecendo e reagir a situações que fogem do padrão de simplesmente atacar, defender e esperar uma abertura.
Essa criatividade também aparece na maneira como os chefes aproveitam as possibilidades de movimentação do protagonista. Em vez de exigir apenas que o jogador memorize uma sequência de ataques, algumas batalhas apresentam situações que mudam o ritmo do confronto e exigem novas respostas. É, de fato, de se tirar o chapéu.
Dificuldade de 66 dias promete desafio extremo
Phantom Blade Zero oferece quatro níveis de dificuldade: fácil, médio, difícil e o modo chamado 66 Days. Durante o teste, a dificuldade média não pareceu excessivamente complicada, embora os chefes ainda exigissem atenção, tentativas e aprendizado dos padrões de ataque. O modo 66 Days é a opção mais curiosa. Ele é desbloqueado depois que o jogador termina a campanha na dificuldade média ou difícil. Nessa modalidade, cada morte consome um dia, limitando a jornada a 66 tentativas.
A proposta parece voltada a jogadores que procuram um desafio mais rigoroso. Como cada derrota reduz o tempo disponível, conhecer os inimigos e dominar o sistema de combate se torna ainda mais importante. Não foi possível testar esse modo durante a experiência, portanto ainda resta descobrir como ele funciona na prática ao longo de toda a campanha.
Phantom Blade Zero — Foto: Divulgação/S-GAME
Nas dificuldades convencionais, o contador de dias também faz parte da progressão. Ele avança em momentos específicos, associados aos sinos de garça, que permitem recuperar memórias e acompanhar a história.
História de Phantom Blade Zero tem contagem regressiva
A história acompanha Soul, um guerreiro acusado injustamente de assassinar seu mestre. Depois de ficar à beira da morte, ele é salvo por um misterioso curandeiro, que lhe concede mais 66 dias de vida.
Nesse período, Soul precisa descobrir a verdade por trás dos acontecimentos e provar que foi vítima de uma conspiração. A contagem regressiva funciona como um elemento central da narrativa e dá urgência à jornada do protagonista.
Durante o teste, não foi possível avaliar toda a história ou entender como os acontecimentos se desenvolvem ao longo da campanha. Ainda assim, a premissa estabelece um objetivo claro para o personagem e combina com o tom sombrio da aventura.
A ambientação também chama a atenção pela maneira como combina referências culturais chinesas com uma estética de fantasia. Essa identidade aparece nos cenários, nos personagens e nos confrontos, reforçando a proposta de KungFuPunk sem exigir que o jogador conheça previamente as referências que inspiraram o jogo.
A narrativa funciona como um dos elementos que sustentam a jornada, embora o combate tenha sido o aspecto que mais chamou minha atenção durante o teste. Uma avaliação mais aprofundada dependerá de acompanhar o desenvolvimento da história e entender como ela se conecta aos acontecimentos posteriores.
Phantom Blade Zero entrará nas discussões sobre os melhores jogos de 2026
Sim, é cedo afirmar, mas Phantom Blade Zero me divertiu muito. É surpreendente a qualidade do jogo, principalmente na movimentação dos combates. O que mais me surpreendeu foi perceber que o jogo consegue ser tão divertido de controlar quanto é impressionante de assistir. As animações são exageradas, os golpes têm personalidade e a movimentação de Soul transforma até confrontos simples em sequências cheias de estilo. Tudo isso funciona porque existe um sistema responsivo por trás do espetáculo.
Ainda existem questões a responder. O teste não permitiu avaliar a variedade dos cenários a longo prazo, o desenvolvimento completo da história ou a capacidade de o jogo manter esse ritmo durante toda a campanha. Também será necessário observar o desempenho técnico da versão final antes de chegar a uma conclusão definitiva sobre esse aspecto.
Phantom Blade Zero — Foto: Divulgação/S-GAME
Mesmo com essas ressalvas, Phantom Blade Zero me divertiu muito e deixou vontade de jogar mais. A combinação de combate criativo, movimentação fluida, chefes memoráveis e exploração promissora faz com que o título seja um dos jogos de 2026 que mais espero acompanhar. Se o restante da aventura mantiver o nível apresentado nas primeiras horas, a S-GAME pode realmente ter uma das grandes surpresas do ano.
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