Segurar o espirro faz mal? Uma mulher de 45 anos precisou de cirurgia após médicos descobrirem um problema raro. Entenda o que aconteceu.

26 out 2026 - 09h00

(atualizado às 09h01)

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- Por: Redação SaúdeLab / Licenciado de SaúdeLAB

Resumo

Uma mulher de 45 anos precisou de cirurgia após o hábito de prender espirros causar uma fissura óssea entre o nariz e o cérebro, gerando acúmulo de ar no crânio e vazamento de líquido cefalorraquidiano. O caso, registrado na Arábia Saudita, reforça o alerta médico: bloquear o fluxo do espirro eleva a pressão nas vias aéreas e pode, embora raramente, provocar lesões graves. Especialistas recomendam cobrir o rosto sem tapar as vias respiratórias e buscar auxílio médico ao notar coriza persistente.

Segurar um espirro para não chamar atenção em público parece um gesto inofensivo. Uma mulher de 45 anos, na Arábia Saudita, tinha esse costume. Até que os médicos descobriram algo inesperado dentro de seu crânio.

Os exames revelaram um acúmulo de ar e uma pequena abertura no osso que separa o nariz do cérebro. O problema provocava um vazamento de líquido e, depois de algumas tentativas de tratamento, exigiu uma cirurgia.

O mais curioso é que, mesmo sabendo do problema, a paciente voltou a prender espirros em encontros sociais.

Tudo começou com uma dor de cabeça e um líquido saindo do nariz

Durante três meses, a mulher conviveu com dores de cabeça leves que melhoravam um pouco quando se deitava.

Outro sintoma chamava atenção. De vez em quando, um líquido transparente escorria apenas pela narina esquerda, principalmente quando ela inclinava a cabeça para a frente.
A paciente não tinha histórico de traumatismo na cabeça nem havia passado por cirurgias nasais. Também não apresentava problemas de saúde conhecidos que explicassem facilmente o quadro.
Durante a investigação, os médicos descobriram que ela costumava conter os espirros, especialmente em locais públicos.
O atendimento ocorreu em Jazan, na Arábia Saudita. O caso foi documentado em um relato publicado neste ano na revista científica American Journal of Case Reports. A nacionalidade da paciente não foi informada.
Os exames revelaram algo que não deveria estar ali
Uma tomografia mostrou pequenas quantidades de ar dentro do crânio, condição conhecida como pneumoencéfalo.
Os médicos também encontraram uma abertura de apenas dois milímetros em uma região óssea muito fina, localizada entre a cavidade nasal e o cérebro.
Essa abertura estava associada ao vazamento do líquor, líquido que envolve e ajuda a proteger o cérebro e a medula espinhal. Parte dele escapava pelo nariz da paciente.
Os exames ainda identificaram um desvio do septo nasal e aumento de estruturas internas do nariz, alterações que podem dificultar a passagem do ar.
Como ela estava sem sintomas no momento da avaliação e não apresentava sinais de infecção, a equipe inicialmente optou pelo acompanhamento clínico.
A orientação era evitar esforços que aumentassem a pressão interna e procurar atendimento caso surgissem novos sintomas.
Mesmo depois do diagnóstico, ela voltou a prender os espirros
Nas seis semanas seguintes, o líquido transparente voltou a escorrer pelo nariz em duas ocasiões.
Nesse mesmo período, a paciente contou que havia segurado espirros duas vezes durante encontros sociais, apesar das orientações recebidas.
A persistência do vazamento preocupou os médicos.
Uma nova avaliação confirmou a saída do líquido pela região nasal. A equipe tentou controlar o problema com medicamentos, mas o tratamento não conseguiu interromper o vazamento.
Cerca de oito semanas depois da primeira consulta, a cirurgia tornou-se necessária.
Segurar o espirro faz mal?
Foto: SaúdeLAB
Imagem ilustrativa de uma mulher segurando um espirro, ao lado de exames de tomografia e ressonância magnética que mostram a presença de ar dentro do crânio da paciente. Imagens dos exames: reprodução/American Journal of Case Reports.
A cirurgia foi além da abertura encontrada no crânio
Durante a cirurgia, os médicos confirmaram o vazamento e encontraram uma pequena porção de tecido cerebral e de suas membranas projetando-se pela abertura no osso.
A equipe fechou o local com tecido retirado do próprio nariz da paciente. Também corrigiu o desvio do septo e reduziu estruturas nasais aumentadas.
Segundo os médicos, essas correções poderiam facilitar a passagem do ar e diminuir a pressão durante os espirros, embora esse benefício não tenha sido comprovado.
A recuperação foi boa. Ao longo de 12 meses de acompanhamento, a mulher permaneceu sem sintomas e não apresentou novos vazamentos.
Ela também foi orientada a não prender mais os espirros.
Segurar o espirro faz mal? O que outros casos mostram
Sim, segurar o espirro pode fazer mal, especialmente quando a pessoa fecha a boca e aperta o nariz para impedir a saída do ar. Isso porque a pressão nas vias respiratórias pode aumentar e, em situações raras, provocar lesões.
Uma revisão científica publicada em 2019 reuniu 52 relatos de lesões relacionadas a espirros, incluindo complicações nos ouvidos, no pescoço e em outras regiões do corpo.
Em outro caso, publicado em 2023, uma mulher de 72 anos apresentou acúmulo de ar dentro do crânio após episódios de supressão de espirros e precisou de cirurgia.
Esses registros mostram que complicações são possíveis, mas não permitem calcular o risco para uma pessoa comum. Trata-se de situações raras, documentadas principalmente em relatos individuais.
Como espirrar sem prender o ar e quando procurar ajuda
Para evitar espalhar gotículas, não é preciso segurar o espirro. O Ministério da Saúde recomenda cobrir o nariz e a boca com um lenço descartável ou com a parte interna do cotovelo e higienizar as mãos depois.
Já a saída frequente de líquido transparente por apenas uma narina, especialmente ao inclinar a cabeça, merece avaliação médica, sobretudo se houver dor de cabeça que muda conforme a posição. Febre, rigidez na nuca ou confusão mental exigem atendimento urgente.
Embora complicações como a da paciente sejam raras, o mais seguro é deixar o espirro sair naturalmente, sem bloquear o nariz e a boca.
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Fonte: SaúdeLAB
- Por: Redação SaúdeLab / Licenciado de SaúdeLAB
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